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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Opção de Leitura



Em Luzes da África, Haroldo Castro oferece um olhar positivo sobre uma região do planeta que, ainda hoje, é mal conhecida por “falta de profundidade da mídia, interesses políticos dos países mais ricos ou continuidade da mentalidade colonial”.
Descrição
Longe dos clichês da miséria e da guerra, o livro é um fascinante relato de aventuras e apresenta com lucidez e agilidade uma percepção peculiar sobre um continente de surpresas. A expedição levou pai e filho a participarem de rituais sufis no Sudão, a compreenderem as últimas etnias nativas da Etiópia, a testemunharem leoas esquartejando uma presa na Tanzânia e a degustarem cogumelos selvagens em Angola. Como escreve Gilberto Gil no prefácio, a África é “um continente digno e nobre”, “fonte inesgotável de alegria e júbilo”, “que os brasileiros abraçam em sua avivada herança”.


Artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo (26/04): As relações crescentes entre Brasil e África.

O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva disse certa vez que "o Brasil tem uma responsabilidade moral e ética para com o continente africano".
Ele também teve a generosidade de reconhecer que o Brasil foi construído em cima do "trabalho, do suor e sangue de africanos" levados para o outro lado do Atlântico no comércio de escravos. Da população brasileira atual, 51% não é branca. Cinco países africanos falam a mesma língua que o Brasil.
O Brasil e os países africanos de língua portuguesa (Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tome e Príncipe, Moçambique e Angola) fazem parte da mesma instituição, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O Brasil foi responsável pela criação da Cúpula América do Sul-África (ASA), que teve sua primeira reunião na Nigéria, em 2006, a segunda na Venezuela, em 2009, e a terceira em 2011 na Guiné-Bissau. A Cúpula tem por objetivo fomentar a cooperação "na governança, no desenvolvimento rural, comércio, investimentos e infra-estrutura".
Hoje o Brasil tem mais missões diplomáticas na África do que tem o Reino Unido. Apenas entre 2003 e 2010, o Brasil abriu 17 novas embaixadas na África e visitou 23 países africanos. A presidente atual, Dilma Rousseff, visitou três países africanos em seu primeiro ano no poder (Angola, Moçambique e África do Sul).
A visita da presidente foi seguida pouco depois pela de seu ministro do Comércio, Fernando Pimentel. A presidente também criou o Grupo de Trabalho da África para dar continuidade a questões relacionadas à cooperação Brasil-África.
No lado africano, o presidente da Tanzânia esteve no Brasil na terceira semana de abril. Em março, o presidente de Cabo Verde também visitou o país. Muitos líderes africanos, incluindo o primeiro-ministro da Etiópia, já confirmaram sua participação na conferência da ONU Rio + 20, marcada para junho no Rio de Janeiro.
Vistas em perspectiva, as relações entre África e Brasil estão se aprofundando e alargando ao mesmo tempo.

O BRASIL EM UM TERRITÓRIO NOVO
Esta semana o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, esteve na Etiópia, onde se reuniu com o primeiro-ministro da Etiópia e discutiu as áreas de cooperação bilateral. Patriota também se reuniu com o vice-primeiro-ministro e o ministro do Exterior da Etiópia e assinou uma série de acordos bilaterais que vão reforçar a posição do Brasil e assegurar sua parceria com a Etiópia.
De acordo com o Itamaraty, a visita de Patriota reflete o fortalecimento dos laços bilaterais desde a abertura da embaixada brasileira em Adis Abeba, em 2005.
Meles Zenawi, o primeiro-ministro da Etiópia, saudou o engajamento intensificado do Brasil com a África e deseja que isso aumente. Ele pediu especificamente que Brasil e Etiópia cooperam nas áreas de energia renovável, desenvolvimento de infraestrutura e pesquisas agrícolas.
Delineando o interesse do Brasil, o chanceler Patriota falou do comércio e o investimento, de um lado, e dos assuntos regionais e globais do outro.
A visita do ministro Patriota à Etiópia foi um marco no contexto mais amplo das relações Brasil-África, na medida em que Adis Abeba é a sede diplomática da África e a Etiópia é a economia em crescimento mais acelerado no continente.
De acordo com a The Economist Intelligence Unit, nos próximos quatro anos a Etiópia está prevista para ser a terceira economia do mundo em termos de velocidade de crescimento.
Essa foi uma das razões pelas quais os organizadores do Fórum Econômico Mundial (FEM) escolheram a Etiópia para sediar a Cúpula Empresarial do FEM 2012. A cúpula, que vai reunir milhares de líderes empresariais de todo o mundo, terá lugar em Adis Abeba ente 9 e 12 de maio deste ano.
O Brasil, cujo comércio com a África passou do marco de US$20 bilhões em 2010, agora tem empresas que estão começando a fazer negócios na Etiópia. A gigante da mineração Vale e a construtora gigante Andrade Gutierrez são exemplos disso.
Mas, em comparação com o número e a escala de envolvimento de empresas de outras economias emergentes como China e Índia, o envolvimento de empresas brasileiras na Etiópia, que é a economia em mais rápido crescimento na África, ainda não chega a ser significativo.
O fato de que o Brasil pretende intensificar suas relações com a Etiópia sugere que sua relação com a África agora não focaliza apenas o pequeno grupo de países produtores de petróleo, por um lado, e os países lusófonos, por outro.
É mais fácil acessar o continente africano a partir de Adis Abeba. Enquanto quase todos os países da África possuem uma embaixada em Adis Abeba, a Ethiopian Airlines tem vôos para 40 destinos no continente. E a Etiópia faz fronteira com seis países africanos.

UMA VIA DE DUAS MÃOS
Tanto o Brasil quando a África têm interesse em ver acontecer reformas nas instituições financeiras internacionais e no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Existe de ambas as partes uma crença forte em que as instituições em questão não refletem a realidade atual.
Assim, como sede da União Africana, e pelo fato de seu primeiro-ministro ser o porta-voz africano na Conferência sobre Mudanças Climáticas, no G20 e no Fórum Econômico Mundial, a Etiópia está perfeitamente posicionada para trabalhar com o Brasil para promover os interesses da África e do Brasil.
Portanto, podemos concluir que o chanceler Patriota teve toda razão quando disse a seu colega etíope, Hailmariam Desalegn, que o Brasil quer cooperar com a Etiópia em assuntos regionais e globais.
Não é apenas o Brasil indo à África, é também a África que está vindo ao Brasil.
Nos últimos dez anos, vários países africanos abriram embaixadas em Brasília. A Etiópia foi um deles. Quando o Brasil abriu sua embaixada em Adis Abeba, em 2005, a Etiópia respondeu abrindo sua embaixada em Brasília, em 2011.
O fato de a decisão da Etiópia de reabrir sua embaixada no Brasil ter sido seguida pelo fechamento de suas embaixadas na Suécia e no Canadá transmitiu uma mensagem contundente de que a Etiópia está determinada a reforçar suas relações com o Brasil.
Em sua capacidade de coordenador do Grupo África, o papel da Etiópia durante a campanha de eleição da Diretoria Geral da FAO, em 2010, de unir a África em torno do candidato brasileiro José Graziano da Silva, foi outra demonstração de sua determinação em fortalecer sua relação com o Brasil.
A Etiópia acredita que pode encontrar no Brasil parceiros para o desenvolvimento. Como o governo brasileiro, o governo etíope é progressista e busca o desenvolvimento.
No cerne de suas políticas estão a redução da pobreza, os investimentos em saúde e educação, incentivar o setor privado a liderar a economia, a ampliação de infra-estrutura como ferrovias e usinas elétricas, a transformação do setor agrícola e o apoio à exportação.
Essas medidas renderam bons frutos, resultando em um crescimento de 11,4% no PIB em 2011/2012. A entrada de investimentos estrangeiros diretos de países como China, Índia, Turquia, Arábia Saudita, França, Reino Unido, Canadá, EUA, Israel, Holanda, Alemanha, Itália, Sudão e Iêmen é atribuída a essas medidas.
Os setores de investimento em que estão engajadas as companhias dos países acima citados incluem o agronegócio, a manufatura, a construção de ferrovias e usinas elétricas e a exploração de petróleo e gás. Todos os setores acima citados são áreas em que as empresas brasileiras são boas.
Empresas brasileiras também podem envolver-se no fornecimento de maquinário ou componentes para dez fábricas de açúcar que o governo etíope pretende construir nos próximos quatro anos. Como dizem que os investimentos têm a ver com mercado e localização, as empresas brasileiras que exportam para o Oriente Médio também podem aproveitar a oportunidade de fazer negócios na Etiópia, na medida em que o país se situa ao lado do mar Vermelho.

Brasil e África do Sul igualdade e diferenças


Brasil e África do Sul tem muitas diferenças mas são grandes as semelhanças principalmente em se tratando de natureza. Os dois países tiveram suas terras colonizadas pelos europeus e sofreram com grande devastação das florestas em busca de riquezas.

Veja como a semelhança na natureza histórica dessas duas grandes nações.


Os dois países são megadiversos, países com grande biodiversidade natural.
O Brasil
 é o país com maior área coberta por florestas.

A África do Sul é pobre em florestas mais é um dos países mais ricos em diversidade floristica do mundo. 
Os dois países tem grande área coberta por savana: no Brasil o cerrado e na África os campos de savana africanos.
Na África do Sul a riqueza vegetal é em grande parte endêmica do países, o Brasil possui um dos maiores números de endeismo vegetal do planeta.  
Cerca de 10% de todas as espécies de plantas conhecidas são encontradas na África do Sul.

Brasil e África do Sul possuem uma inestimável riqueza de fauna. 

No Brasil vivem mais de 500 espécies de mamíferos entre elas onças e panteras, na África do Sul vivem leões, leopardos e outros gigantes da natureza como os elefantes e búfalos.
Só no Parque Nacional de Kruger na África do Sul existem mais de 120 espécies de repteis e no Brasil já são conhecidas 468 espécies.
No Brasil tem mais de 500 espécies de anfíbios no Parque do kruger são 35 espécies.
Só em Kruger existem 520 espécies de aves, no Brasil mais de 1622. 

A maior parte das espécies ameaçadas de extinção, tanto no Brasil quanto na África do Sul, estão ameaçadas principalmente pela perda do habitat e pela caça ilegal que alimenta o comercio mundial ilegal de animais selvagens.

Hoje restam apenas 1% do território Sul Africano coberto por florestas, no Brasil 93% da Mata Atlântica já foi devastada.
Existem dezenas de espécies ameaçadas ou criticamente ameaçadas nos dois países.

No entanto, há grandes esforços das duas nações para preservarem sua natureza.

Na África do Sul existem vários parques nacionais como o de Kruger onde centenas de espécies são salvas da extinção e vivem livre da ameaça do homem.
No Brasil também encontramos grandes áreas de preservação como o Parque Nacional do Pantanal Mato grossense que zela pela manutenção da vida selvagem da região.

A influência africana

A cultura africana é extremamente diversificada e suas características retratam tanto a história do povo quanto a do continente – considerado o território habitado a mais tempo na Terra. Isso acontece porque os habitantes da África evoluíram em um ambiente cheio de contrastes e com várias dimensões. Culturalmente eles diferem muito entre si, falam um vasto número de línguas, praticam diferentes religiões, vivem em habitações diversificadas e se envolvem em inúmeras atividades econômicas. Tribos, grupos étnicos e sociais formam essa população de costumes, tradições, línguas e religiões específicas.
No Brasil, a cultura africana chegou através do tráfico negreiro que trouxe para o País povos da África na condição de escravos. Formados principalmente por bantos, nagôs, jejes, hauçás e malês os africanos tiveram sua cultura repreendida pelos colonizadores. Na colônia os escravos aprendiam o português, chegavam a ser batizados com nomes portugueses e obrigados a se converterem ao catolicismo. Mesmo assim foram eles que ajudaram a dar origem às religiões afro-brasileiras, difundidas atualmente em diversas regiões do País. As mais praticadas no Brasil são o candomblé  e a umbanda.
Porém, a contribuição dos africanos na cultura brasileira não se limitou à religião. Dança, música, culinária e idioma receberam influências que prevalecem no Brasil até os dias de hoje. Na culinária regional, por exemplo, a herança africana é evidente, principalmente na Bahia. O dendezeiro, uma palmeira africana da qual se extrai o azeite de dendê, foi introduzido na região pelos escravos e é hoje utilizado em vários pratos de influência africana como o vatapá, o caruru e o acarajé. Já o idioma brasileiro ganhou novas palavras como   batuque, moleque, benze, macumba e catinga.
A música também foi muito favorecida pela cultura africana, que contribuiu com os ritmos que são a base de boa parte da música popular brasileira. Um exemplo disso é o gênero musical lundu, que juntamente com outros gêneros deu origem à base rítmica do maxixe, samba, choro e bossa nova. Além da contribuição rítmica, também foram trazidos alguns instrumentos musicais como o berimbau, o afoxé e o agogô, todos de origem africana. O mais conhecido deles no Brasil é o berimbau, instrumento utilizado para criar o ritmo que acompanha os passos da capoeira. No folclore são de origem africana as danças de cateretê, jongo e o samba, e os instrumentos musicais atabaque, a cuíca e a marimba.